Entendimento

2 07 2017

Renda-se, como eu me rendi.

Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei.

Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

coragem

Clarice Lispector

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Deixar ir…

12 05 2012

Existe sempre um outro modo de ver a vida, de nos vermos a nós mesmos, de vermos o Universo, de vermos os outros.

E quando não sabemos o que fazer, quando achamos que temos um problema, só temos que estar abertos a um outro modo de ver as coisas.

O mesmo modo que usamos sempre não nos tem ajudado muito. Resolvemos um desafio e aparece outro. E cada vez que um novo desafio aparece, o nosso coração pula, as emoções voltam em desespero, a preocupação apodera-se daquilo que pensamos ser nós. E a confusão instala-se.

Vale a pena? São apenas hábitos. Velhas formas de pensar, sentir e agir.

Os problemas são apenas memórias. Quando aparecem, damos conta deles e eles passam a ser passado. Já não existe nada a fazer para ele não estar aqui.

Então, aceitar que assim é e libertar todas as emoções que estão à volta dele pode ser um outro modo de lidar com a situação. Trabalhar com um problema como se fosse apenas passado, como se fosse apenas uma memória. E deixá-lo partir. Deixá-lo abandonar o nosso pensamento. Deixá-lo voar e abrir o coração à paz e à solução que já existe, aqui e agora.

É deixar ir os velhos paradigmas, as velhas memórias, as antigas formas de viver a vida, e deixar que a vida se abra de uma forma natural e simples.

Deixar ir… Deixar ir… Deixar ir…





Mulher 2

30 07 2011

Eu costumava sonhar que encontraria um jeito de lavar a minha dor, mas será que posso lavar a minha vida? Posso lavar o meu passado e o meu futuro?

Frequentemente examino o meu rosto com atenção no espelho. Parece liso de juventude, mas eu sei que tem as cicatrizes da experiência: é despido de vaidade e muitas vezes mostra dois vincos fundos na testa, sinais do terror que sinto dia e noite. Os meus olhos não têm nada do brilho ou da beleza dos olhos de uma garota. No fundo deles há um coração que se debate. Dos meus lábios machucados foi raspada toda a esperança de sensação; as minhas orelhas, fracas por causa da constante vigilância, nem aguentam um par de óculos; o meu cabelo, que deveria brilhar de saúde, não tem vida, por causa da preocupação. É esse o rosto de uma garota de dezassete anos? O que são as mulheres, exactamente? Os homens devem ser classificados na mesma espécie que as mulheres? Porque é que eles são tão diferentes? Livros e filmes podem dizer que é melhor ser mulher, mas não consigo acreditar. Nunca achei que isso fosse verdade e jamais vou achar.

– Xinran in “As Boas Mulheres da China