Paisagem

1 08 2017

A terra pertence ao dono, mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar.

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Miguel Sousa Tavares

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Fotografias

11 02 2017

Ao contrário do que se poderia pensar, fotografias não são um retrato exato da realidade. Na verdade, se a fotografia fosse mesmo só um registro exato e inalterado de algo, ela não seria considerada uma forma de arte. A arte da fotografia consiste justamente em ter o olhar certo e conhecer a técnica ideal para dar a uma imagem a ideia que o fotógrafo quer que ela transmita. Dessa forma, assim como outras formas de arte e de comunicação, a fotografia sempre tende a passar uma ideia ou uma noção que foi escolhida pelo artista, não por nós.

cais( retirado do blogue Sinfonia e Sol)





Olhar

19 06 2014

Perdemos o mundo por um olhar? Claro que sim. É para isso que o mundo existe: para se perder na altura certa.

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Julian Barnes  em  Os Níveis da Vida





Introspecção

6 02 2013

Estamos tão habituados a olhar apenas para fora de nós que perdemos o acesso ao nosso interior quase completamente. Estamos aterrorizados em relação a olharmos para dentro, porque a nossa cultura não nos deu qualquer ideia sobre o que iremos encontrar. Podemos até pensar que se olharmos para o nosso interior, estamos em perigo de encontrarmos a loucura. Este é um dos últimos e mais engenhosos recursos que o nosso ego utiliza para nos impedir de descobrirmos a nossa real natureza.

Portanto nós tornamos a nossa vida de tal forma agitada que eliminamos o mais pequeno “risco” de olharmos para nós próprios. Mesmo a simples ideia de meditarmos parece assustar as pessoas. Quando elas ouvem a expressão “sem ego” ou vazio, pensam que experimentar esses estados vai ser como ser atirado porta fora de uma nave espacial, para um frio e escuro vazio.

Nada podia estar mais longe da verdade.

Mas num mundo dedicado à distracção, o silêncio e a quietude assustam-nos; por isso protegemo-nos com barulho e uma actividade constante. Olhar para a natureza da nossa mente é a única coisa que não nos lembraríamos de fazer.

Sogyal Rinpoche, “Tibetan Book of Living and Dying”





Olhar

5 06 2012

Saber o que está por trás de um olhar é algo que apenas a vida nos ensina a conhecer…

    Aprender que por vezes um olhar sério traduz alegria e bem-estar, e que um sorriso nem sempre é sinónimo de alegria, faz parte da escola da experiência e maturidade… e lê-se nos livros das pedras calcorreadas do nosso caminho.





Assim é o Amor – O Árabe

15 03 2012

O amor não nos pertence.
Como acontece com a felicidade, ele apenas nos visita. E, enquanto se hospeda em nossa alma, faz mais colorido o dia, mais acolhedora a noite e mais belas as notas da canção.

O amor nos traz a Vida. E bem-aventurado é aquele que o conhece, ainda que por apenas um dia e uma noite; porque voará com as asas do sonho e conhecerá um novo mundo.

Como o templo adornado pelas mais viçosas flores, é o coração onde habita o amor. E o seu altar sagrado é o corpo amado, onde o amante encontra a celebração do Universo.

Sim. E o amor é puro como a alegria da criança, a nuvem branca no céu e o regato cristalino, que entre as pedras inóspitas da montanha faz ouvir a sua canção de esperança.

Comparais o amor à rosa; e eu vos digo que é afortunada a analogia. Porque, se como a rosa o amor é belo e de pétalas macias, como a rosa guarda também os seus espinhos.

É assim que é. E, se ao prático assusta a ameaça dos espinhos, apenas a beleza da rosa importa ao sonhador; e um e outro estão certos, ao temer os seus efeitos e cantar os seus encantos.

No manto encantado do amor, cintilam como estrelas as nossas mais belas ilusões; entretanto, é também nas suas dobras que se ocultam os mais amargos desencantos.

Na sua voz vibram as mais sedutoras promessas, que nos fazem encarar um futuro de harmonia e felicidade. No seu rasto, todavia, nada se pode ver além da saudade.

Necessitais atender ao seu chamado, porém. Porque é preciso conhecer o amor, para conhecer a si mesmo; para descobrir a magia da companhia e o tormento do ciúme.

Assim é o amor. E se faz presente no primeiro vagido do bebé , nos passos inseguros do infante ou no derradeiro suspiro daquele que bem soube viver o seu tempo.

Assim é o amor. Que se encontra no primeiro olhar, nutre-se do primeiro toque e no primeiro beijo descobre um infinito mar de sensações, que no orgasmo atingem a plenitude.

Assim é o amor. A porta pela qual chegamos a este planeta, a estrada que percorremos para o crescimento, a nossa maior motivação para seguir em frente dia após dia.

Assim é o amor. Que não nos pertence, mas está em nós.

Como a eternidade.





A outra pessoa

10 03 2012

Há vezes em que a outra pessoa é o eixo de tudo o que é possível conceber. Não se pode imaginar para lá dos seus detalhes, a imaginação é menor. Nesse instante, a outra pessoa é uma espécie de Las Vegas. Depois adormecemos e acordamos a pensar no seu rosto. Mas a outra pessoa não é apenas uma imagem. É um silêncio morno, monstro, a explodir significados que não somos capazes de entender, mas que distinguimos até no centro do nevoeiro mais sólido e que, se for preciso, defendemos até a nossa pele se gastar, até gastarmos a pele e, claro, morrermos.

(…)

Há vezes em que a outra pessoa é uma má recordação e, quanto mais tentamos afastá-la daquilo que nos ocupa o cérebro, mais a vemos afixada nas paredes e repetida no telejornal.(…) Estamos feridos e, por isso, temos pensamentos terríveis. Podemos construir pequenos infernos privados e viver lá durante longas temporadas, fechamos as janelas, baixamos os estores e, em qualquer estação do ano, a temperatura é sempre a mesma. Dessa maneira, tudo o que antes era vida transforma-se em veneno.

(…)

Há vezes em que a outra pessoa é todo o infinito que se pode imaginar a partir de um instante preciso, ou de uma certa forma de olhar, ou de algo que se ouviu dizer. Existe paz porque o futuro é tão vago que nada o pode desviar da sua rota de incerteza.

E há vezes em que a outra pessoa somos nós.

Então, não sabemos nada, exactamente como em todas as outras vezes.

José Luís Peixoto