Entusiasmo

6 07 2013

Sem entusiasmo, nunca se realizou nada de grandioso.

Ralph Waldo Emerson

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Viver é…

31 03 2012

Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.

Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida.

Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros.

Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.

Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.

Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos.

Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.

A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.

Joaquim  Pessoa  em  Ano Comum





Carta da Paz dirigida à ONU

14 05 2011

Amigos, amigas,

a maioria das pessoas, no mais profundo do seu ser, deseja a paz. No entanto, são evidentes as trágicas e contínuas quebras da paz entre os diversos povos do mundo. Não é fácil a tarefa de procurar soluções adequadas para alcançá-la. São muitos os obstáculos.

Esta carta pretende indicar alguns princípios que possam ajudar a superar esses obstáculos e, ao mesmo tempo, oferecer alguns fundamentos a partir dos quais poderá construir-se solidamente a paz.

Ponto I Não temos culpa alguma dos males que ocorreram na História. – Nós, os contemporâneos, não temos culpa nenhuma dos males ocorridos ao longo da História, pela simples razão de que não existíamos.

Ponto II –  Não os alimentar nem transmitir de geração em geração. – Por que razão, então, ter e alimentar ressentimentos uns contra os outros, se não temos nenhuma responsabilidade no que aconteceu na História?

Ponto IIIPor que razão não ser amigos e trabalhar juntos para construir um mundo mais solidário? –  Eliminados esses ressentimentos absurdos, por que razão não ser amigos e trabalhar juntos para construir globalmente um mundo mais solidário e gratificante, tanto para os nossos filhos como para nós?

Ponto IVSe a História tivesse sido diferente não existiríamos. – É proveitoso conhecer o mais possível a História. No entanto, sabemos que não podemos fazê-la voltar atrás. Sabemos também que, se a História tivesse sido diferente – melhor ou pior -, o que aconteceu teria sido diferente. Ter-se-iam produzido, ao longo dos tempos, outros encontros, outras ligações; teriam nascido outras pessoas e nós não. Nenhum de nós, que hoje tem o privilégio de existir, existiria. Isto não quer dizer que os males provocados pelos nossos antepassados não tenham sido realmente males. Censuramo-los, repudiamo-los, e não queremos repeti-los.

O assombro de existir fará com que nos esforcemos, com alegria, para reparar as consequências actuais dos males anteriores.

Ponto V Reconhecer que existir nos irmana e fará de nós mais solidários. – Nós, seres humanos, pelo simples facto de existirmos – podendo não ter existido -, temos uma relação fundamental : ser irmãos na existência. Se não existíssemos, nem sequer podíamos ser irmãos consanguíneos de ninguém. Entender esta fraternidade primordial na existência, fará de nós mais solidários e abertos à sociedade.

Ponto VI Onde radicar novas estruturas sociais para construir uma sociedade mais sólida e em paz? – Ao organizar, na actualidade, as novas estruturas sociais consideradas adequadas para construir uma sociedade mais sólida e em paz, é perigoso, na maior parte das vezes, querer fundá-las sobre estruturas antigas, mesmo que outrora elas tenham sido consideradas convenientes. Por isso, é mais seguro edificar as novas estruturas a partir de zonas geográficas e humanas. Evitando, no entanto, o risco de se fecharem em si mesmas, uma vez que isso acaba quase sempre em desavenças de toda a índole e até em guerras.

 Ponto VIIFavorecer a genuína liberdade dos indivíduos, assim como a sua sabedoria, é promover a cordialidade entre as pessoas e, desse modo, edificar melhor a paz. –  O ser humano é livre, inteligente e capaz de amar. O amor não se pode obrigar ou impor, nem experimentar cegamente, mas deve ser vivido com lucidez. O amor ou surge livremente e de forma clara ou então não é autêntico. Sempre que limitamos a liberdade a alguém ou a privamos da sabedoria, estamos a impedir que essa pessoa possa amar-nos. Por conseguinte, defender, favorecer e desenvolver a liberdade genuína do indivíduo – que encerra em si uma dimensão social corresponsável -assim como a sua sabedoria, é favorecer a estima cordial entre as pessoas e, portanto, conseguir edificar melhor a paz.

Ponto VIIIAs instituições que perduraram ao longo da História, deverão ressarcir, na medida do possível, os danos causados. – Os representantes actuais das instituições que perduraram ao longo da História não são responsáveis pelo sucedido no passado, pois não existiam. No entanto, para favorecer a paz, esses representantes hão-de lamentar publicamente, sempre que oportuno, os males e as injustiças que essas instituições cometeram ao longo da História. Por isso mesmo devem ressarcir institucionalmente, na medida do possível, os danos causados.

Ponto IX O direito a ser motivados e entusiasmados na alegria de existir. – Os progenitores são responsáveis por terem dado a existência a outros seres. Por isso, com a colaboração solidáris da sociedade, devem proporcionar até à morte dos seus filhos, especialmente os psicologicamente incapacitados e de carácter débil, os meios e os apoios suficientes – deixar-lhes, sobretudo, em herança um mundo mais pacífico – para que eles desenvolvam a sua vida com dignidade humana, uma vez que não pediram para existir.

Por outro lado, os jovens têm o direito de serem motivados e entusiasmados na alegria de existir, pelo exemplo de seus pais, família e sociedade. De igual modo, têm de ser motivados e entusiasmados a trabalhar, aprofundando técnicas e ciências, para poderem colaborar, por sua vez, na construção de um mundo mais em paz.

É evidente que não se poderá construir a paz global enquanto na sociedade, e inclusive no seio das próprias famílias, houver menosprezo para com a maioria daqueles que a constituem : mulheres, crianças, idosos e grupos marginalizados. Pelo contrário, o melhor caminho para a paz é reconhecer e respeitar a dignidade e os direitos de todos eles.

Ponto X Que toda a pessoa possa viver de forma coerente com o que pensa. – Actualmente um número crescente de países reconhece que todos temos o direito a pensar, a expressar-nos e a reunir-nos livremente, respeitando sempre a dignidade e os direitos dos outros. Com efeito, cada ser humano tem o direito de viver a sua vida neste mundo de maneira coerente com aquilo que sinceramente pensa.

As democracias têm, portanto, de dar um salto qualitativo para defender e possibilitar que toda a pessoa possa viver de acordo com a sua consciência, evidentemente sem nunca atentar contra a liberdade de ninguém nem causar danos aos outros ou a si.

Sem ressentimentos, a partir da liberdade, das evidências e da amizade, é possível construir a paz.

Obrigado amigos e amigas…

A Carta da Paz foi apresentada publicamente pela primeira vez em Barcelona, a 22 de Abril de 1993 ; e, desde então, começou a ser espalhada por mais de 80 países dos 5 continentes, recolhendo milhares de assinaturas por todo o mundo. A Carta da Paz foi solenemente entregue ao Secretário Geral da ONU, no dia 4 de Janeiro de 1995, acompanhada das assinaturas e testemunhos recolhidos até àquele momento; regularmente, continuam a entregar-se a este organismo internacional novos testemunhos, assinaturas e o fruto do trabalho a favor da paz que continua a realizar-se em todo o mundo.

Em Portugal, a Carta foi apresentada, pela primeira vez, em Lisboa, a 21 de Novembro de 1994.

E foi apresentada, pela segunda vez, em Matosinhos, a 14 de Maio de 2011.