Tempo 7

6 09 2015

O bom do caminho é haver volta.

Para ida sem vinda

basta o tempo.

ampulheta

Mia Couto

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A perfeita harmonia

23 07 2015

( … )

Ligeira e veloz, no céu a andorinha é um dardo negro.

Há música que paira na encosta e no vale, nos montes em volta, a cintilar.

Os frutos do verão já se anunciam em gomos formosos.

Cantam as aves na ramaria e no rio os peixes pulam e saltam.

( … )

Autor Desconhecido

Poemas  Celtas  da  Natureza





Abraça-me

4 10 2012

Abraça-me.

Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas.

Abraça-me.

Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.

Abraça-me.

Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos. 
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes. 

Abraça-me.

Uma vez só. Uma vez mais. 
Uma vez que nem sei se tu existes.

Joaquim Pessoa, em ‘Ano Comum’