África

26 04 2012





Escutar e partilhar

20 04 2012

Escutar e partilhar, num relacionamento interpessoal, é fundamental. Seja um relacionamento amoroso, de amizade, familiar ou profissional. É muito importante escutar o outro, para além das palavras.

Palavras podem ter vários significados e conhecer o outro é escutá-lo nos seus significados, questionando e conhecendo.

Reter as palavras gera conflito, discussões e afastamento. Conhecer para além das palavras, perceber o contexto, a informação emocional associada, permite-nos melhorar a nossa comunicação e permite-nos estar mais à vontade connosco e com o outro.

É muito comum encontrar pessoas que têm dificuldade em comunicar o que sentem – sentem dificuldade em expressar o que sentem e pensam – sentem dificuldade em expressar o que sentem e pensam ou então em serem compreendidas.

Eu não sei se algum dia poderemos ser 100% compreendidos pelo outro, mas podemos ser 100% honestos connosco ao ser honestos com o outro, e ao permitir que o outro possa ser honesto connosco, aceitando as suas ideias, pontos de vista e emoções.

Não existem pessoas perfeitas e por isso não existem modelos de comunicação perfeitos. Existem pessoas que estão em constante crescimento e que querem ser felizes, querem viver relacionamentos harmoniosos e felizes.

Começar por aceitar o universo que vive dentro de si é fundamental para partilhar o seu universo com outro ser humano.

Aceitar as suas emoções, sejam positivas ou negativas, é o primeiro passo para poder partilhá-las sem apego e ouvir outros pontos de vista.

Isso permite que o outro se sinta à vontade para partilhar momentos consigo, para partilhar pensamentos e sentimentos.

Escutar o outro é dar espaço a si e ao outro para SER.

Esquecer memórias, esquecer regras e viver em cada momento, com a experiência do momento. É claro que podemos libertar as memórias, processar as emoções do passado, mas existe um tempo e um espaço, onde podemos simplesmente estar e ser para o outro. E nesse espaço também outras emoções do passado podem surgir, e onde antes isso afectava negativamente a relação, pode agora ser um ponto de observação e libertação, um espaço de presença curadora!

Ângela  Alves





Garatujas

18 04 2012

A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. Surge… ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são miga­lhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes, aquele que está mesmo no cimo e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se tudo, a areia desliza, espalma-se e resta-te apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e continuas à nora, insistes no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado… até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, deixaste na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começas a desconfiar que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas.

Antonio  Tabucchi





Meditação : controlo da mente?

13 04 2012

É difícil falar da intemporal beleza e riqueza do momento presente quando tudo acontece tão rapidamente hoje em dia. Mas quanto mais rapidamente as coisas acontecem, mais importante se torna habitarmos o intemporal. Caso contrário, podemos perder o contacto com dimensões da nossa humanidade que fazem toda a diferença entre a felicidade e a infelicidade, entre a sabedoria e a ignorância, entre o bem-estar e a confusão constante que acontece na nossa mente, no nosso corpo e no nosso mundo, e a que nos iremos referir como um ‘mal-estar’. Porque este nosso descontentamento é mesmo uma doença, apesar de não nos parecer. Às vezes referimo-nos coloquialmente a este tipo de sentimentos e condições, que são um tipo de ‘descontentamento’, como stress. E estes sentimentos normalmente são dolorosos. Pesam-nos. E implicam sempre um sentimento latente de insatisfação.

Em 1979 fundei uma Clinica de Redução de Stress. Olhando agora para trás no tempo, penso: “Que stress?” tanto o nosso mundo mudou, tanto se acelerou o ritmo das nossas vidas e tantos perigos aparecem hoje em dia à nossa porta.

E precisamente o que pretendemos desenvolver na nossa Clínica é permitir que (…) , não daqui a muitos anos se finalmente obtenha um sentimento de ter atingido algo de importante, se tenha saboreado a beleza intemporal da atenção meditativa e de tudo o que ela tem para oferecer (levando-nos em ultima análise a levar uma vida muito mais tranquila e satisfatória), mas sim a acedermos a essa intemporalidade neste mesmo instante – porque ela já nos está imediatamente acessível, mesmo debaixo dos nosso nariz, por assim dizer – e ao fazê-lo, ganhar acesso aquelas dimensões do possível que só nos estão neste momento inacessíveis porque nos recusamos a estar presentes, porque estamos seduzidos, entretidos ou assustados com o futuro ou o passado, levados por um conjunto de eventos e pelos padrões típicos das nossas reacções e da nossa dormência, atendendo aquilo a que classificamos de “urgente”, enquanto perdemos o contacto com o que genuinamente é importante, de facto vital para o nosso bem estar, para a nossa sanidade e mesmo para a nossa sobrevivência.

Nós fizemos da nossa absorção constante pelo passado e pelo futuro um hábito tão forte que, a maior parte do tempo, não temos qualquer noção do momento presente. Como tal, podemos sentir que temos muito pouco controlo, se é que algum, sobre os altos e baixos das nossas vidas e das nossas próprias mentes.

Jon Kabat-Zinn, Coming to our Senses – Healing Ourselves and the World Through Mindfulness





Vida 8

8 04 2012

Não sei se a vida merece que a amem profundamente. Acredito mais que é o amor por nós próprios que nos faz amá-la,

principalmente se uma outra vida (alguém a quem amemos e que nos ame) nos for ajudando a encontrar para a existência um sentido suficiente.

José Saramago





Qualidade

2 04 2012

Todos, sem excepção, temos um defeito dominante. E a melhor forma de corrigir defeitos é desenvolver as qualidades contrárias. E o segredo para desenvolver qualidades ou virtudes é puxar pela nossa melhor qualidade. Quando desenvolvo o meu talento, todo o resto da personalidade cresce e amadurece. Qual é a minha melhor qualidade?

Vasco Pinto Magalhães   em

   Não Há Soluções, Há Caminhos