Escolha 2

31 01 2011

Em amor, é um erro falar-se de uma má escolha, uma vez que, havendo escolha, ela tem de ser sempre má.

 

Marcel  Proust  em  Em busca do tempo perdido

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Vida 6

28 01 2011

A nossa vida, como reportório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as históricamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino.

 Mas agora é preciso completar o diagnóstico. 

 A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida. Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajectória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos… a eleger.

 Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem num só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão. Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir. É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.

 .

 Ortega y Gasset  em  ‘A Rebelião das Massas’





Tempo 4

25 01 2011

O tempo apaga tudo, excepto o longo, indelével rasto que o não-vivido deixa.

Sophia  de  Mello  Breyner  Andresen





Visitantes

19 01 2011

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Future

18 01 2011

You can’t change the past, but you can ruin the present, by worrying about the future.

Unknown





Word

16 01 2011

I know nothing in the world that has as much power as a word. Sometimes I write one, and I look at it, until it begins to shine.

Emily  Dickinson





Paz

12 01 2011

É impossível alguém magoar-nos.

Nós podemos pensar que alguém nos magoa e tornar essa mágoa real para nós.

No momento em que aceitamos a mágoa, é natural que nos sintamos mal e nos sintamos dentro de uma situação complicada.

 E nesse instante, todo o mundo parece desabar sobre nós!

 E se houvesse uma outra forma?

  Contudo, essa outra forma exige uma tomada de consciência diferente e muito profunda: nós somos 100% responsáveis por aquilo que sentimos e por aquilo que vemos no mundo.

 Achamos que o mundo é algo exterior a nós, mas aquilo que vemos no mundo é a nossa interpretação do mundo (por isso pessoas diferentes vêem coisas diferentes numa mesma situação – cada uma vê o seu mundo, a sua interpretação).

 Então, se apenas vemos a nossa interpretação e aquilo que sentimos é resultado dessa interpretação, só nos resta mudar essa interpretação – alterar a nossa interpretação do mundo.

A paz é possível no mundo, mas tem que começar em cada um de nós primeiro.

 Enquanto um de nós não estiver em paz interior não pode existir paz no mundo, pois ainda existe alguém a não ver paz nas suas interpretações.

 Quando nos sentimos com medo, com raiva e com dor emocional, é porque estamos a ver de forma “errada”. Ou seja, a interpretação que estamos a fazer está ausente de AMOR.

E só o amor cura, só o amor desfaz as mágoas e “só o amor é real”.

Aquilo que é natural em todos nós é amar. Aquilo que é natural em todos nós é o AMOR.

Só sofremos quando sentimos uma falta de amor, o que na verdade significa que não estamos a amar uma parte de nós, na forma de alguém ou alguma situação que parece exterior a nós.

Nem sempre conseguimos ver com amor, porque o medo parece mais forte. E aí podemos escolher responder da mesma forma, como sempre fizemos e sem amor, ou responder com amor e dar uma oportunidade à vida para se expandir e curar através de nós.

Não precisamos fazer nada. Nem temos que fazer nada.

Só temos que dar espaço à vida em nós para curar as fantasias de medo e dor que habitam na nossa mente.

Podemos chamar-lhe Deus, Universo, Vida, Amor, Essência. As palavras não passam de palavras. Para onde elas apontam, não na superfície, mas bem profundamente em nós é o mais importante. Sentir, ir fundo em nós e sermos sinceros.

Precisamos curar as nossas percepções do mundo para estarmos em paz.

E todos os dias a vida oferece-nos oportunidades para libertarmos as nossas mágoas do passado e vivermos este momento, o AGORA, em plena e total liberdade.

Tudo o que pensamos ser liberdade não passa de mais um conceito, mas bem cá dentro, sabemos que a liberdade não tem limites, não se prende em formas, não encontra barreiras e é eterna.

Há um conhecimento que habita em todos nós, que pode ser esquecido, mas nunca deixa de nos guiar para a melhor solução, para o melhor caminho para vivermos em paz.

Por isso, não precisamos fazer nada, e apenas nos permitirmos ver e sentir de outra forma.

Estarmos disponíveis para sermos felizes, e ver a nós e aos outros com amor, é tudo aquilo que precisamos para estarmos em paz connosco.

 

Ângela  Alves